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18 Set 2019

Crédito pelo IPCA custa até 50% menos

Em vigor há exatos 20 dias, a nova linha de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal com fator de correção pelo índice oficial de inflação (IPCA) tem taxas de juros que variam de 2,95% a 4,95% ao ano e, em simulações, tem apresentado prestações entre 35% e 50% mais baixas quando comparadas a valores de contratos atrelados à Taxa Referencial (TR) – estes com juros entre 8,5% e 9,75% ao ano.
 
Dito isso, a primeira impressão que se tem é que esta nova condição é a melhor opção para o consumidor – só que não. Segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, cada caso é um caso e contas devem ser feitas na ponta do lápis.
 
[[PNG-33-176]] De acordo com cálculo realizado pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon), Carlos Henrique Passos, um financiamento, por exemplo, de R$ 150 mil contratado em 20 anos (240 meses) no molde "antigo", com juros de 9% ao ano mais TR (zero desde o ano passado) sai com prestação inicial de R$ 1.750 e, final, de R$ 585,90.
 
Já o mesmo valor e prazo a juros de 4,95% corrigidos dessa vez pela inflação (média de 3,22% ao ano) tem a primeira mensalidade em R$ 1.243 e, a última, na casa de R$ 1.213.
 
Ou seja, apesar de se começar pagando uma prestação menor em relação ao empréstimo indexado pela TR, pelo IPCA vai-se até o fim do contrato arcando com quase que o mesmo valor inicial.
 
Isso porque, segundo Passos, pelos índices atuais e levando em conta o Sistema de Amortização Constante (SAC), na operação com o IPCA, o valor da prestação aumenta ao sofrer a mesma correção da inflação aplicada sobre o saldo devedor. Enquanto a prestação e o saldo devedor de contrato atualizado pela TR diminuem com o passar do tempo.
 
"Essa (nova) é uma modalidade benéfica ao mercado imobiliário, pois significa mais uma opção de crédito para o consumidor, que deve analisar o modelo que melhor lhe atende. É uma aposta (do governo) de que a inflação não vai crescer. Na verdade, não existe uma fórmula boa ou ruim, mas a mais adequada para uma família. Um jovem, por exemplo, que tem a necessidade de começar pagando menos, que tem uma perspectiva de melhora salarial ao longo do tempo, pode optar por esse produto. É opcional. É simular e saber o que é melhor (para cada um). Tomar uma decisão consciente", diz o dirigente.
 
[[PNG-33-177]]  Para o gestor-executivo de vendas para Bahia e Espírito Santo da construtora e incorporadora MRV, Luís Felipe Monteiro, por ser "mais uma opção disponível para o consumidor", a medida deve, sim, estimular o setor. Monteiro destaca que a inflação anda sob controle e que o ideal é que o mutuário esteja mesmo é atento ao seu "perfil". "O que acontece é que a TR, historicamente, tem variado menos que o IPCA", afirma.
 
Economista e representante do conselho federal da categoria (Cofecon) no estado, Paulo Dantas diz que a iniciativa da Caixa, isoladamente, é um tanto "acessória" e que, para de fato aquecer o setor, é preciso haver um conjunto mais robusto de medidas por parte do governo, como "aumentar o dinheiro" (em circulação). E fala que para isso é preciso haver investimento.
 
"O mais importante é aumentar o dinheiro, a capacidade de compra por parte da população, que anda muito reduzida. Linha de crédito é sempre muito bom, tanto para pessoa física como empresas, e a construção civil um instrumento valiosíssimo, que gera emprego, dinamiza a economia e tem força para possibilitar a transformação do país".
 
Estudos para aprimorar
 
Referindo-se ao fato de o atual governo concentrar esforços em um discurso de austeridade fiscal, o economista lembra que o "déficit público tirou por duas vezes o sistema capitalista" do fundo do poço – entre os anos 1920 e 1930 e início do século. "Intervenções do setor público americano", diz.
 
Segundo a assessoria de imprensa da Caixa, estudos estão sendo desenvolvidos para aprimorar a nova linha de crédito imobiliário, e ainda não há um balanço quanto ao número de contratações do produto, que pode ser contratado em até 360 meses para aquisição de imóvel novo ou usado.